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01 de Junho de 2018 às 09h52min
Governadores aliados criticam atuação de Temer na greve dos caminhoneiros
Entre os do MDB, só Pezão, que não pode se reeleger, aprovou postura
POR JEFERSON RIBEIRO - O GLOBO

Travado. A rodovia Régis Bittencourt, em SP, parada no auge da crise: demora do governo federal em reagir agravou consequências, na visão de governadores - Edilson Dantas/

RIO — O enfraquecimento político do governo de Michel Temer nas duas semanas da crise detonada pela greve dos caminhoneiros fez o presidente perder defensores até mesmo onde é mais raro ver críticas à gestão federal: entre governadores de partidos aliados, que, além da ligação política, dependem de recursos federais para as próprias administrações. A quatro meses de uma eleição em que a impopularidade de Temer não deverá ser boa companhia no palanque, mesmo governadores do MDB, como Paulo Hartung, do Espírito Santo, reclamam da atuação da gestão federal na crise.

 
O partido do presidente tem atualmente cinco governadores. De todos eles, o único a sair em defesa da atuação de Temer durante a crise foi Luiz Fernando Pezão, do Rio, justamente o único que não será candidato em outubro. Os outros quatro criticaram de forma direta ou parcial a reação federal à greve — o único a não ter respondido aos questionamentos do GLOBO, o governador de Alagoas, Renan Filho, tem adotado postura oposicionista em relação a Temer, em alinhamento com seu pai, o senador Renan Calheiros.
 
Além do MDB, há dois partidos da base aliada que possuem governadores e não têm nomes já lançados à disputa presidencial: o PP, que governa o Paraná e Roraima, e o PSD, que administra Rio Grande do Norte e Sergipe.
 
Em geral, os governadores aliados do governo evitaram se opor de imediato à ação dos caminhoneiros, mas passaram a defender o término da paralisação nos últimos dias.
 
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— Não tivemos nenhuma ajuda do governo federal. Temos um governo central fragilizado e temos um surto de populismo no nosso país. Essa combinação é perigosa. E a gente precisa fazer o exercício de liderança responsável do tempo que estamos vivendo — avalia Hartung, que ainda não definiu se tentará a reeleição. — Acho que foram três movimentos em um. O dos caminhoneiros autônomo, o das empresas transportadoras e o político, que não foram percebidos junto porque há brutal fragilidade do governo federal. Não saber o que estava envolvido pela área de inteligência mostra o desgoverno.
 
Também correligionário de Temer no MDB, o governador de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira, defendeu a “legitimidade” da greve e atacou a política de preços de combustíveis do governo federal.
 
— Desde o início, reconhecemos como legitima a manifestação do movimento, diante de uma política equivocada de preços dos combustíveis. O governo federal demorou a perceber a gravidade. Agora, a partir do momento em que a reivindicação foi atendida, a greve deveria ter sido paralisada já há um tempo — opina Pinho Moreira. — Os estados não podem pagar a conta de uma política equivocada do valor dos combustíveis. A solução financeira deve vir do governo federal. Todos precisam fazer a sua parte.
 
Enfrentando um desgaste de níveis semelhantes ao do governo Temer, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, foi o único do MDB a sair em defesa da administração federal, que, na sua visão, “fez o que era necessário e possível fazer”. Ainda que liderasse um governo popular, Pezão já foi reeleito em 2014, e não poderia mais concorrer novamente ao cargo. Entre os que mantêm pretensões eleitorais em outubro, é mais raro encontrar a defesa da gestão e Temer. No MDB, além de Renan Filho, completa o time de governadores José Ivo Sartori, do Rio Grande do Sul. Ele repetiu a tônica de políticos pré-candidatos, a maioria se equilibrando entre reconhecer como “legítima” a greve e criticando a continuidade do movimento que tem afetado o funcionamento do país.
 
“O movimento dos caminhoneiros iniciou sua manifestação de forma correta, tanto é assim que a maioria da população estava a favor. Agora, já passou de todo os limites”, declarou, na última qunta-feira.
 
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A governadora do Paraná, Cida Borghetti (PP), tem avaliação parecida com a de Pezão. Ex-vice-governador de Beto Richa (PSDB), que deixou o cargo para se candidatar a senador, ela defende que o governo Temer atendeu, “na medida do possível às solicitações do movimento”. O Paraná é um dos estados em que a produção agrícola tem grande importância no PIB, e Borghetti também deve tentar a reeleição.
 
O GLOBO não conseguiu contato com a outra governadora do PP, Suely Campos, de Roraima. Ele também deve se candidatar à reeleição, e teve a relação com o governo Temer abalada nos últimos meses por causa da imigração de venezuelanos até a capital do estado, Boa Vista. Suely chegou a cobrar do governo federal o fechamento da fronteira com a Venezuela, levando o caso até o Supremo Tribunal Federal (STF), o que irritou o Palácio do Planalto, que viu motivação eleitoral para a atitude.
 
Os governadores do PSD, Robinson Faria e Belivaldo Chagas, não responderam.
 
 
 
 

 
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