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31 de Outubro de 2016 às 09h22min
Antes do bebê nascer, quanto custa acabar com a dúvida sobre quem é o pai?
Depois do curto espaço de tempo entre uma relação e outra, logo veio o mal estar, enjoo e a descoberta da gravidez.
Campo Grande News

A melhor e mais segura data para a realização do exame é após a 16ª semana de gestação.

A melhor e mais segura data para a realização do exame é após a 16ª semana de gestação.

Estabilizada profissionalmente, gravidez era assunto que passava longe, até se tornar real e vir com um dilema quanto à paternidade. O Lado B ouviu o relato de uma mulher de 34 anos que prefere não se identificar, mas que encontrou em Campo Grande um exame que revelasse quem era o pai do seu filho, ainda na gestação. 

"Vivia a fase da 'liberdade paralela' quando conheci um rapaz mais novo que eu. A diferença de idade foi o que me chamou a atenção, já que eu vivia uma crise no meu casamento tão estável. Não sei se pelo flerte ter me deixado culpa, também acabei tendo relação com meu esposo", descreve.

Depois do curto espaço de tempo entre uma relação e outra, logo veio o mal estar, enjoo e a descoberta da gravidez. E o momento que era para ser tão lindo, se transformou num pesadelo.

"Eu fiquei desesperada, porque o que eu sempre vi em novela aconteceu comigo. Se gravidez é para ser um momento sublime, no meu caso se tornou algo terrível. Não pela criança, que não tem culpa", desabafa.

A saída foi um exame de DNA gestacional, que apesar dos riscos, a gestante acreditou ser a única coisa que lhe devolvesse o sono. "O preço é super caro, mas quanto a gente paga para resolver uma questão até então sem solução? Apesar dos riscos, que eu sei que existem, eu realmente não consigo esperar", completa ela.

Descobrir quem é o pai, nas palavras da personagem, não vai lhe fazer menos mãe e seu companheiro vai querer o filho. "No meu caso, eu quero apenas ter a certeza de que o bebê vai ter assegurado todos os direitos dele, além de ser é claro, um cuidado com a saúde", alega.

Não que saber que sua situação não é tão incomum tenha lhe deixado mais aliviada, mas depois de ter o resultado em mãos, o que a mãe espera é que consiga curtir o que chamam de 'momento de graça'. "Claro que tenho medo do meu companheiro partir, mas agora, tenho que assumir as consequências dos meus erros", admite.

Teste - O exame de DNA faz a comparação das cargas genéticas dos indivíduos e em se tratando de paternidade, o grau de coincidência precisa ser total. "Se não for, a legitimidade paterna é excluída. Se todos os genes coincidirem, então afirma-se que o suposto pai é o verdadeiro pai com grau de certeza acima de 99%", ressalta a ginecologista e especialista em Medicina Fetal, da Fetal Health – Clínica de Medicina Fetal, Taís Zortéa.

Quando o bebê ainda está na barriga e é preciso fazer o teste, a especialista explica que então deve ser coletada amostra de células do bebê e isso pode ser realizado através de dois métodos: "Amniocentese" ou "Cordocentese". 

Procedimento - A coleta pode ser através de líquido amniótico, a Amniocentese ou sangue do cordão umbilical, a Cordocentese. Como o segundo é um procedimento mais elaborado e com riscos maiores, a opção mais frequente é pela amniocentese. 

"A amniocentese é feita por introdução de uma agulha específica no abdome gravídico guiada por ultrassonografia. Pode ser realiza em consultório e utiliza-se anestesia local. O fetólogo (especialista em Medicina Fetal) deve realizar um exame ultrassonográfico primeiro e identificar bolsões de líquido amniótico e longe das estruturas fetais, afim de evitar lesões no bebê", explica Taís. 

Ainda conforme a especialista, a introdução da agulha na cavidade uterina é guiada pela ultrassonografia, após atingir o alvo o fetólogo aspira líquido amniótico, em média 20ml, para diminuir o risco de não encontrar células inviáveis para a análise. "Uma vez obtida a amostra, a agulha é retirada, curativo realizado. Geralmente a anestesia local alivia a dor local e a gestante não necessita de analgésicos e de antibióticos profiláticos", completa.

O feto é monitorado antes e após a coleta, a paciente é liberada e deve permanecer em repouso por pelo menos 24h, para evitar que o líquido continue vazando pelo trajeto da agulha.

Depois de colhido, o material é encaminhado para o laboratório habilitado. "Que é capaz de realizar a análise do líquido amniótico e identificar as células do bebê, bem como identificar a carga genética dos pais através da amostra de sangue periférico", afirma Taís.

Riscos - Para a gestante, os são muito pequenos. "Pois o procedimento é realizado com uma agulha fina, leve dor local (tipo de uma injeção) e risco de infecção sempre podem ocorrer, mas são raros e podem ser tratados", enfatiza a médica. 

Quanto ao bebê, há o risco de abortamento, ou rotura prematura de membranas. "Uma consulta com Especialista em Medicina Fetal é importante, para o entendimento do procedimento, bem como esclarecimentos das eventuais dúvidas, dos cuidados e dos riscos", frisa Taís.  

A melhor e mais segura data para a realização do exame é após a 16ª semana de gestação. Na Capital, Taís explica que a demanda ainda é pequena e acredita que seja em parte por falta de informação.  

O resultado leva entre 30 e 45 dias para ficar pronto. O Lado B pesquisou em laboratórios de Campo Grande e apenas dois dos principais realizam o exame. O valor sai entre R$ 950 e até R$ 1,5 mil.


 
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